PRINCÍPIO ATIVO
Fenitoína
⚡ Resumo rápido
✔ Antiepiléptico✔ Epilepsia e convulsões✔ Nível sanguíneo deve ser monitorado✔ Pode causar crescimento de gengiva✔ Interação com muitos medicamentos
📝 Para que serve
Indicado para controlar crises convulsivas (convulsões), incluindo epilepsia e crises que acontecem após cirurgias no cérebro. Também é usado em situações de emergência, como o estado de mal epiléptico (quando as convulsões não param ou se repetem sem que a pessoa recupere a consciência entre elas).
🛑 Necessita receita?
🔴 Receita Simples
Exige prescrição médica. A receita não é retida na farmácia na maioria dos casos, conforme legislação vigente.
⚠️ Efeitos colaterais
Os efeitos mais comuns incluem tontura, sonolência, enjoo, coceira na pele, dificuldade para coordenar os movimentos (ataxia), movimentos involuntários dos olhos (nistagmo) e crescimento exagerado da gengiva. Em casos graves, pode causar reações na pele muito sérias, com bolhas e descamação. Não deve ser usada durante a gravidez, pois pode prejudicar o bebê.
⚠️ Aviso importante: ⚠️ A fenitoína pode causar reações alérgicas graves na pele, como a Síndrome de Stevens-Johnson (feridas e bolhas na pele e mucosas) e a Síndrome DRESS (erupções na pele com febre, inchaço dos gânglios e problemas no fígado e outros órgãos). Se aparecerem manchas vermelhas, bolhas, febre ou descamação da pele, procure atendimento médico imediatamente.
☎️ LIGUE SAMU (192) se houver convulsões que não param, manchas ou bolhas na pele, febre alta, dificuldade para respirar, batimentos cardíacos muito lentos ou irregulares, ou qualquer reação alérgica grave.
💡 Saiba mais
Como é aplicado na veia, a fenitoína injetável deve ser administrada devagar para evitar queda brusca da pressão e problemas no coração. Mantenha uma boa higiene bucal (escovação e fio dental) para prevenir o crescimento da gengiva.
🔍 Curiosidade: a fenitoína foi inicialmente estudada como calmante, mas os pesquisadores descobriram que ela controlava convulsões sem deixar a pessoa tão sonolenta quanto outros remédios da época — uma descoberta que mudou o tratamento da epilepsia.
⚡ Interações medicamentosas
Informe sempre seu médico ou farmacêutico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você usa.
🔴 Grave Fenitoína + Inibidores de CYP
Interage com: fluconazol, itraconazol, claritromicina, amiodarona
Elevam os níveis de fenitoína — risco de toxicidade (nistagmo, ataxia, confusão mental).
💡 ❌ Monitorar nível sérico de fenitoína. Ajustar dose com médico.
🟡 Moderada Isoniazida + Anticonvulsivante
Interage com: isoniazida
Isoniazida inibe metabolismo da fenitoína e carbamazepina — risco de toxicidade neurológica.
💡 ⚠️ Monitorar nível sérico dos anticonvulsivantes. Ajustar doses.
🔴 Grave Clozapina + Carbamazepina / Fenitoína
Interage com: clozapina
Indutores enzimáticos reduzem muito os níveis de clozapina. Carbamazepina também potencializa agranulocitose.
💡 ❌ Evitar carbamazepina com clozapina. Monitorar nível sérico.
🟡 Moderada Fenitoína + Anticoncepcional
Interage com: contraceptivo, etinilestradiol, levonorgestrel
Fenitoína induz metabolismo dos hormônios contraceptivos — redução significativa da eficácia.
💡 ⚠️ Usar método contraceptivo adicional. Considerar anticoncepcionais alternativos.
🟡 Moderada Valproato + Outro Anticonvulsivante
Interage com: valproato, ácido valproico, divalproato
Interações complexas — valproato inibe metabolismo da lamotrigina (toxicidade) e é induzido pela carbamazepina (menor eficácia).
💡 ⚠️ Monitorar nível sérico de ambos. Ajustes de dose frequentes.
🟡 Moderada Metronidazol + Fenitoína / Carbamazepina
Interage com: metronidazol
Metronidazol inibe CYP2C9 e CYP2C19 — eleva os níveis séricos de fenitoína e carbamazepina com risco de toxicidade neurológica: nistagmo, visão dupla, ataxia e confusão mental.
💡 ⚠️ Monitorar nível sérico dos anticonvulsivantes durante o tratamento. Ficar atento a sintomas de intoxicação (tontura, visão dupla). Ajustar dose com orientação médica.
🔴 Grave NOAC + Indutor Enzimático (Carbamazepina / Rifampicina)
Interage com: rivaroxabana, apixabana, dabigatrana
Carbamazepina, rifampicina e fenitoína induzem CYP3A4 e P-glicoproteína — aceleram muito a eliminação dos anticoagulantes, reduzindo os níveis séricos em 50–85%. O sangue pode coagular mesmo com o paciente tomando o anticoagulante, com risco de trombose e AVC.
💡 ❌ Evitar a combinação. Se o indutor for indispensável, considerar warfarina com monitoramento rigoroso de INR. Nunca interromper o anticoagulante sem orientação médica.
🔴 Grave Fentanila / Buprenorfina + Indutor de CYP3A4
Interage com: fentanila, buprenorfina
Rifampicina, carbamazepina e fenitoína induzem CYP3A4 — aceleram muito a eliminação de fentanila e buprenorfina, reduzindo os níveis séricos em 50–80%. A analgesia falha e, em pacientes com dependência, podem surgir sintomas graves de abstinência (sudorese, agitação, câimbras, vômito).
💡 ❌ Evitar a combinação. Se indutor for indispensável, aumentar substancialmente a dose do opioide sob supervisão médica. Monitorar controle da dor e sinais de abstinência. Ao suspender o indutor, reduzir dose do opioide gradualmente para evitar superdosagem.
🔴 Grave Anticonvulsivante Indutor + Ciclosporina
Interage com: ciclosporina
Carbamazepina, fenitoína e fenobarbital induzem fortemente as enzimas que metabolizam a ciclosporina (CYP3A4), reduzindo seus níveis sanguíneos em 40 a 90%. Em transplantados, isso pode levar à rejeição do órgão mesmo sem sintomas iniciais. A oxcarbazepina tem efeito menor, mas ainda significativo.
💡 ❌ Evitar a combinação sempre que possível. Se o anticonvulsivante for indispensável, monitorar nível sérico de ciclosporina (trough) com frequência elevada logo após o início ou ajuste do anticonvulsivante. Pode ser necessário dobrar ou triplicar a dose de ciclosporina. Preferir anticonvulsivantes sem indução enzimática (levetiracetam, topiramato em doses baixas) em transplantados.
🔴 Grave Anticonvulsivante Indutor Enzimático + Tacrolimo
Interage com: tacrolimo
Carbamazepina, fenitoína e fenobarbital induzem fortemente o CYP3A4, a principal enzima que metaboliza o tacrolimo — os níveis sanguíneos de tacrolimo caem em 50 a 90% após o início desses anticonvulsivantes. Em transplantados, isso pode resultar em rejeição do órgão silenciosa, sem febre ou sintomas claros, descoberta só em biopsia.
💡 ❌ Evitar sempre que possível em pacientes transplantados. Se anticonvulsivante for indispensável, preferir levetiracetam, lamotrigina ou valproato — que não induzem CYP3A4 — com avaliação neurológica. Caso o indutor seja mantido, monitorar nível sérico de tacrolimo (trough) em 48–72h e a cada ajuste de dose, podendo ser necessário multiplicar a dose habitual por 3 a 5 vezes.
🔴 Grave Indutor Enzimático + Tamoxifeno
Interage com: tamoxifeno
Rifampicina, carbamazepina, fenitoína e fenobarbital aceleram fortemente as enzimas que metabolizam o tamoxifeno e seu metabólito ativo (endoxifeno, que é 100 vezes mais potente que o tamoxifeno). Com o endoxifeno reduzido, o tratamento hormonal do câncer de mama perde grande parte da sua eficácia — mesmo que a paciente esteja tomando a dose correta de tamoxifeno.
💡 ❌ Evitar a combinação em pacientes com câncer de mama hormônio-receptor positivo. Se anticonvulsivante for indispensável, discutir com a oncologista a substituição por levetiracetam ou lamotrigina, que não induzem essas enzimas. Nunca ajustar a dose de tamoxifeno por conta própria para compensar.
🟡 Moderada Indutor Enzimático + Letrozol
Interage com: letrozol
Rifampicina, carbamazepina e fenitoína induzem o CYP3A4 e o CYP2A6, as principais enzimas que eliminam o letrozol — os níveis plasmáticos do letrozol podem cair significativamente, reduzindo a supressão de estrogênio e comprometendo a eficácia do tratamento hormonal do câncer de mama.
💡 ⚠️ Evitar a combinação. Se anticonvulsivante for indispensável, discutir com a oncologista a substituição por levetiracetam ou lamotrigina, que não interferem no metabolismo do letrozol. Monitorar marcadores tumorais e resposta clínica se a combinação for inevitável.
🔴 Grave Oxicodona + Indutor de CYP3A4
Interage com: oxicodona
Rifampicina, carbamazepina e fenitoína induzem o CYP3A4 e aceleram a eliminação da oxicodona, reduzindo seus níveis sanguíneos em 50 a 90%. A analgesia falha e o paciente sente que a medicação "não está fazendo efeito" — o risco é ele aumentar a dose por conta própria e, ao suspender o indutor, sofrer uma overdose grave com os níveis de oxicodona subindo rapidamente.
💡 ❌ Evitar a combinação. Se anticonvulsivante for indispensável, preferir levetiracetam (sem indução de CYP3A4). Caso o indutor não possa ser substituído, a dose de oxicodona precisará ser aumentada substancialmente sob supervisão médica — e sempre reduzida de forma gradual ao suspender o indutor.
🔄 Princípio ativo (genérico)
O princípio ativo deste medicamento é Fenitoína.
Medicamentos genéricos com o mesmo princípio ativo são bioequivalentes ao produto de referência e têm a mesma eficácia.
❓ Perguntas frequentes
❓ Fenitoína serve para convulsão?
Sim, é anticonvulsivante usado no tratamento de epilepsia e emergências como o estado de mal epiléptico (convulsões que não param).
❓ Fenitoína dá sono?
Sim, sonolência, tontura e dificuldade de coordenação são efeitos comuns. Evitar dirigir até saber como o medicamento afeta você.
❓ Fenitoína pode parar de tomar de repente?
Não. Nunca interromper abruptamente — pode desencadear crises convulsivas graves. A dose deve ser reduzida gradualmente sob orientação médica.
❓ Fenitoína causa reação alérgica grave?
Pode causar reações graves como Síndrome de Stevens-Johnson — feridas e bolhas na pele e mucosas. Ao primeiro sinal de erupção cutânea, comunicar o médico imediatamente.
❓ Fenitoína tem muitas interações?
Sim, interage com muitos medicamentos — anticoagulantes, anticoncepcionais, outros anticonvulsivantes, entre outros. Sempre informar ao médico todos os medicamentos em uso.
❓ Posso beber álcool tomando Fenitoína?
Evite. O álcool pode baixar o limiar convulsivo e reduzir a eficácia do medicamento. Risco de convulsão.
❓ Fenitoína pode causar diarreia?
Pode ocorrer em algumas pessoas, mas não é o efeito mais comum. Mantenha hidratação adequada. Se persistir ou for intensa, informe seu médico.
❓ Posso tomar Fenitoína com o estômago vazio?
Prefira tomar com alimentos para reduzir o risco de irritação gástrica, salvo orientação específica do médico ou bula.
❓ Quanto tempo leva para a Fenitoína começar a fazer efeito nas convulsões?
A Fenitoína começa a agir entre 30 minutos a 1 hora após a administração, dependendo da via (oral ou intravenosa). Em casos de emergência, a injeção faz efeito mais rapidamente. Níveis terapêuticos estáveis são atingidos após alguns dias de uso regular.
❓ Fenitoína causa inchaço nas gengivas em todas as pessoas que usam?
Não, o crescimento da gengiva acontece em aproximadamente 30-50% dos pacientes que usam Fenitoína. A higiene bucal adequada e visitas regulares ao dentista podem ajudar a prevenir ou reduzir esse efeito.
❓ Qual é o melhor horário do dia para tomar Fenitoína?
A Fenitoína deve ser tomada no mesmo horário todos os dias, conforme prescrito pelo médico. Geralmente é recomendado tomar com as refeições para melhorar a absorção e reduzir o enjoo. Consistência é mais importante que o horário específico.
❓ Posso dirigir ou operar máquinas pesadas enquanto tomo Fenitoína?
Você deve evitar atividades que exijam atenção (como dirigir) enquanto estiver ajustando a dose de Fenitoína, pois pode causar tontura e dificuldade de coordenação. Após estabilização, converse com seu médico sobre a segurança de dirigir.
❓ Fenitoína afeta a eficácia de anticoncepcional hormonal?
Sim, a Fenitoína reduz a eficácia de anticoncepcionais orais pois aumenta seu metabolismo. Mulheres que tomam Fenitoína devem usar métodos contraceptivos adicionais ou doses mais altas de hormônios, sempre com orientação médica.
📋 Nota educacional: As informações desta página são de caráter educacional e foram revisadas por farmacêutica responsável. Não substituem consulta médica ou farmacêutica profissional. Em caso de dúvidas, procure um profissional de saúde. Emergências: ligue 192 (SAMU).
Revisado por Rita de Cássia Oliveira Soares da Silva — CRF-SP 33.109 · Farmacêutica responsável
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