PRINCÍPIO ATIVO
lenalidomida
⚡ Resumo rápido
✔ Mieloma múltiplo e SMD del5q✔ Teratogênica — contracepção obrigatória✔ Risco de trombose — profilaxia✔ Monitorar hemograma e rim
📝 Para que serve
A lenalidomida é um agente imunomodulador de 2ª geração, análogo estrutural da talidomida, com maior potência e perfil de segurança distinto (menor neuropatia, sem sedação). Age por múltiplos mecanismos: inibe a proteína cereblon (substrato de E3 ubiquitina ligase), levando à degradação de fatores de transcrição oncogênicos (Ikaros/Aiolos); modula a imunidade (aumenta atividade de células T e NK); inibe angiogênese e proliferação de células plasmáticas malignas. Indicada no mieloma múltiplo (tratamento e manutenção), síndrome mielodisplásica com deleção 5q e linfoma de células do manto. IMPORTANTE: compartilha com a talidomida o risco teratogênico grave e exige programa de controle de risco rigoroso.
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🔴 Receita Obrigatória (Controlada Especial)
Medicamento de controle especial com programa de gestão de risco obrigatório — análogo da talidomida com potencial teratogênico grave. Prescrição exclusiva por oncologista ou hematologista cadastrado no programa.
ℹ️ Receita de Controle Especial Branca (2 vias). Dispensação exclusiva em farmácias credenciadas no programa de gestão de risco (Programa Revlimid/RevAssist). Exige termo de consentimento informado, teste de gravidez negativo (para mulheres em idade fértil) e confirmação de uso de dupla contracepção.
⚠️ Efeitos colaterais
Neutropenia e trombocitopenia (dose-limitantes e frequentes — monitorar hemograma semanal inicialmente), fadiga, diarreia, constipação, prurido cutâneo, rash, tromboembolismo venoso e arterial (risco significativo — profilaxia antitrombótica geralmente obrigatória), neuropatia periférica (menos frequente que com talidomida), hipotireoidismo (monitorar TSH), infecções (pela imunossupressão), síndrome de lise tumoral no início do tratamento.
⚠️ Aviso importante: TERATOGÊNICA: causa defeitos congênitos graves e morte fetal — gravidez é contraindicação ABSOLUTA. Mulheres em idade fértil devem usar dupla contracepção eficaz (método hormonal + barreira física) durante e por 4 semanas após o tratamento. Risco de tromboembolismo venoso e arterial é aumentado — profilaxia com AAS ou heparina de baixo peso molecular é geralmente obrigatória, especialmente em mieloma múltiplo. Ajuste de dose é essencial na insuficiência renal (principal via de excreção é renal).
Tomar lenalidomida com ou sem alimentos, sempre no mesmo horário do dia. Engolir a cápsula inteira — não abrir, mastigar nem partir. Em caso de ruptura acidental da cápsula, evitar contato do pó com pele e mucosas (teratogênico e potencialmente irritante). Mulheres em idade fértil: realizar teste de gravidez antes de cada ciclo de tratamento conforme exigido pelo programa. Informar imediatamente ao médico qualquer atraso menstrual ou suspeita de gravidez.
💡 Saiba mais
A lenalidomida é uma das terapias mais eficazes no mieloma múltiplo, mas seu potencial teratogênico exige comprometimento rigoroso com o programa de controle de risco. O risco trombótico é real e subestimado — não abandone a profilaxia antitrombótica prescrita. A contagem sanguínea (neutrófilos e plaquetas) diminui previsívelmente nas primeiras semanas — os ajustes de dose são parte do protocolo e não indicam falha do tratamento. Mantenha contato frequente com a equipe de hematologia.
🔄 Princípio ativo (genérico)
O princípio ativo deste medicamento é lenalidomida.
Medicamentos genéricos com o mesmo princípio ativo são bioequivalentes ao produto de referência e têm a mesma eficácia.
❓ Perguntas frequentes
❓ Por que a lenalidomida exige controle tão rigoroso de gravidez?
A lenalidomida é um análogo da talidomida — o medicamento que nos anos 1960 causou milhares de casos de focomelia (ausência de membros) em crianças. Embora a lenalidomida tenha menos neuropatia e sedação, ela compartilha o potencial teratogênico grave da talidomida. Mesmo uma única cápsula tomada durante a gravidez pode causar defeitos congênitos severos. Por isso, o programa de controle de risco exige: teste de gravidez negativo antes de cada ciclo, dupla contracepção eficaz durante e após o tratamento, e consentimento informado documentado.
❓ Qual o risco de coágulos (trombose) com lenalidomida?
O risco é significativo — especialmente quando a lenalidomida é combinada com dexametasona em altas doses ou com eritropoetina no tratamento do mieloma múltiplo. A lenalidomida aumenta a atividade pró-coagulante e a agregação plaquetária. Por isso, profilaxia antitrombótica é geralmente obrigatória: aspirina em baixa dose (100mg/dia) para pacientes de baixo risco, ou heparina de baixo peso molecular (enoxaparina) ou varfarina para pacientes de alto risco (histórico de TVP, imobilidade, cirurgia recente). Não interrompa a profilaxia sem orientação do hematologista.
❓ Por que meu hemograma (leucócitos e plaquetas) cai durante o tratamento?
A queda de neutrófilos (neutropenia) e plaquetas (trombocitopenia) é esperada e dose-dependente — é um dos efeitos mais comuns da lenalidomida. Ela acontece porque o medicamento suprime a proliferação das células malignas na medula, mas também afeta temporariamente a produção normal. O protocolo inclui monitoramento semanal do hemograma nas primeiras 8 semanas e ajuste de dose conforme os valores. Neutropenia grave (< 500/μL) ou trombocitopenia severa (< 25.000/μL) geralmente requerem suspensão temporária ou redução de dose — não abandone o tratamento sem orientação.
❓ Meus rins podem ser afetados pela lenalidomida?
A lenalidomida é eliminada principalmente pelos rins — pacientes com insuficiência renal acumulam o medicamento e têm maior risco de toxicidade. A dose deve ser ajustada de acordo com a depuração de creatinina (ClCr) antes de iniciar e durante o tratamento. Para pacientes em hemodiálise, existem esquemas posológicos especiais. É fundamental monitorar a função renal regularmente durante o tratamento. Pacientes com mieloma também têm risco aumentado de comprometimento renal pela própria doença — controlar a doença com lenalidomida pode, paradoxalmente, melhorar a função renal.
📋 Nota educacional: As informações desta página são de caráter educacional e foram revisadas por farmacêutica responsável. Não substituem consulta médica ou farmacêutica profissional. Em caso de dúvidas, procure um profissional de saúde. Emergências: ligue 192 (SAMU).
Revisado por Rita de Cássia Oliveira Soares da Silva — CRF-SP 33.109 · Farmacêutica responsável
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